Blog da Rosinha

Se essa rua, se essa rua fosse minha…

Publicado por: daniellainacio em: 23 dezembro, 2010

Nasci e fui criada em Conselheiro Lafaiete, interior de Minas Gerais. Cidadezinha pacata, excelente para crianças e idosos. Os pais tinham tranquilidade para levar seus filhos nos parquinhos e os idosos tinham tranquilidade para jogar seus jogos de damas e xadrez na praça. O tempo foi passando e com 18 anos me mudei. Voltei pra Lafaiete em 2006 e a cidade já não era mais a mesma, ela já estava começando a piorar (com a chegada do crack), mas a situação ainda era suportável.

Nesse último ano a situação ficou insuportável. O trânsito caótico, a criminalidade aumentou, as pessoas não tem espaço para andar na rua… E tudo isso graças à falta de planejamento para receber os trabalhadores das expansões das empresas mineradoras e siderúrgicas da região. Isso mesmo, da região porque aqui, em Lafaiete, não tem empresas desse ramo. As empresas se localizam nas cidades vizinhas (Congonhas, Ouro Branco, Jeceaba…), mas quem acaba sofrendo com isso é Lafaiete, que é a maior entre essas cidades e que, segundo pensam as pessoas que vem de fora, tem melhores condições para receber os trabalhadores.

Não sou contra a expansão, pois ela gera novos empregos e aumenta o ganho dos rendimentos da cidade. Mas sou contra esse crescimento desembestado pelo qual nossa cidade passa. Se alguém tentar sair de carro no horário de 18 às 20h, não consegue, pois o engarrafamento toma conta de TODA a cidade. Não existe um Engenheiro de Trânsito em nossa cidade para tentar resolver esse tipo de problema.

Outro problema é em relação à moradia: os preços de imóveis e aluguéis cresceram de tal forma que não vejo a mínima possibilidade de adquirir uma casa própria com meu salário atual (e olha que meu salário não é dos piores…). Além disso tem o crescimento de prédios de maneira desorganizada e sem planejamento: fica parecendo um monte de puleiro um em cima do outro e qualquer um se acha no direito de dizer que é construtor. Depois que os prédios começarem a desabar, não vão dizer que não avisei.

E sem contar a criminalidade: além dos pequenos roubos em função do crack (quando digo pequenos é porque os moleques roubam celulares, bolsas etc., mas geralmente sem violência física), agora temos que conviver com grandes assaltos a residências, sequestros relâmpagos, sequestros em troca de resgate e estupros. Não entendo o porque desse último, pois mulher fácil é o que mais tem por essas bandas e “casas de shows” hoje em dia está presente quase que em cada quarteirão. Mas os “trabalhadores” que vem de longe não estão nem aí, quando querem uma garota, a pegam.

Nem todas as pessoas convivem com esses problemas que listei anteriormente, mas tem um problema que qualquer cidadão convive: o lixo. A cidade virou um lixão a céu aberto. Todos os dias quando vou trabalhar (saio de casa umas 6:40h e em cinco minutos estou no prédio onde trabalho) a cidade ainda está dormindo (pelo menos a maioria das pessoas pegam serviço às 8:30h) a cidade já está imunda: cocô de cachorros e de humanos nos passeios, lixo das residências que não foram recolhidos, lixos espalhados pelos cachorros, vomitados (esses dias os vomitados nas ruas aumentaram de forma significativa) etc. O cheiro de tudo isso é insuportável. E mesmo com os garis limpando a cidade permanece suja. Depois de tudo isso, as pessoas ainda me perguntam porque eu chego pra trabalhar todo dia com mau humor…

Espero, de verdade, que Lafaiete consiga um Administrador que resolva esses problemas ao invés de olhar pro próprio umbigo. Espero que os cidadãos lafaietenses se conscientizem e comecem a melhorar a cidade por conta própria, fazendo cada um a sua parte. E espero que Lafaiete volte a ser a cidade tranquila onde fui criada…

 

1 Resposta para "Se essa rua, se essa rua fosse minha…"

Texto excelente! Minha cidade, Santa Bárbara/MG, está enfrentando
exatamente o mesmo problema. As indústrias novas ficam nas cidades vizinhas e a parte que cabe à minha cidade é apenas a superpopulação, violência, drogas, especulação imobiliária e sujeira. Como sei que na política importa mais a capacidade de manipular pessoas do que a vontade de trabalhar, nem me meto nesse ramo. Logo, a única opção que me resta é reclamar e, quando a paciência acaba, me mudar de cidade. Triste isso.

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