Blog da Rosinha

O maior vilão

Posted on: 10 novembro, 2016

Sou muito nerd e todo mundo sabe disso. Sempre entro em discussões sobre filmes e séries e muitos me perguntam: “qual o melhor super herói?”, “qual o maior vilão?” e disso começa uma discussão gostosa, cada um mostrando os pontos fortes do seu favorito e mostrando os pontos fracos dos seus oponentes. Mas agora eu passo a pergunta adiante: qual é o maior vilão de todos os tempos?

Eu poderia enumerar aqui vários vilões: Darth Vader, que era mocinho e se enveredou para o lado negro por causa do seu amor à Padmé, The Joker, que tem o lado psicopata mais encantador de todos os tempos, Joffrey Baratheon, que era o mimado mais imbecil de GoT, Ramsay Bolton, que mesmo que eu me esforce muito não consigo achar nada de bom nele além dos olhos azuis, Magneto, que tem vários traumas de infância, Nazaré Tedesco, que foi a vilã mais bem escrita da dramaturgia brasileira… e por aí vai: temos uma lista gigante de vilões que nos encantam, nos enojam, nos matam de raiva…

Mas pra mim o maior vilão de todos os tempos é o EGO. Não estou falando de nenhum personagem fictício, estou falando de algo que temos dentro de nós e que pode ser o nosso maior inimigo. Não consigo entender o que leva uma pessoa a se vangloriar tanto; não consigo entender a necessidade de algumas pessoas em se mostrar mais do que realmente são; não entendo a necessidade de se vangloriar em uma conversa de boteco querendo ser melhor que o outro; não consigo interagir com pessoas que mandam mensagens em grupos de WhatsApp mostrando que algumas coisas só dão certo porque elas colocaram a mão… Sério! Todo mundo merece o reconhecimento por algo de bom que fez, mas existe mesmo a necessidade de ficar “jogando na cara” o tempo todo o quanto eles são bons naquilo? Ao invés de admiração, isso me provoca asco.

Logo que formei, participei de várias dinâmicas de grupo para processos de trainee (não passei porque não tinha inglês fluente) e via muitos recém formados bons de serviço perdendo a vaga por conta do EGO: queriam se mostrar demais, não deixavam os outros participarem da dinâmica, se mostravam bons demais… E isso me fazia pensar: “se é tão bom, por que está aqui e não está em um lugar muito melhor que esse?”. E os avaliadores não perdoavam e os eliminavam logo de cara. Como eu sempre tive o hábito de chegar cedo aos compromissos, eu ficava batendo papo com os outros candidatos. E sempre que aparecia um “metido a besta”, eu fazia uma avaliação mental: esse aí vai ser o primeiro a ser mandado de volta pra casa…

É certo que todos nós temos que reconhecer em que somos bons e fazer nosso marketing pessoal, o que é uma tarefa difícil, pois falar de nossas qualidades sem ser arrogante demanda humildade, característica cada vez mais difícil no ser humano. Há algumas semanas dei uma atividade em sala pedindo aos alunos do 2º período de Ciências Contábeis que fizessem uma apresentação pequena (de 5-7 slides) sobre eles: uma pequena biografia, falar sobre os momentos em família, momentos de lazer,  falar sobre o que esperam do curso e sobre as perspectivas futuras. Os alunos ficaram assustados e disseram que a atividade era muito difícil. Daí entramos numa discussão sobre o quanto é difícil falarmos sobre nós mesmos, sobre o quanto é mais fácil ver as características, boas ou ruins, de outras pessoas. Ao final, eles gostaram e disseram que a atividade foi bem proveitosa. Coincidentemente, essa semana minha ex-aluna Camila Viana, jornalista, fez uma palestra para meus alunos do 8º período de Engenharia da Computação sobre Gerenciamento de Comunicação dentro de projetos e acabou tocando no assunto do Marketing Pessoal. Como ela bem ressaltou temos que aprender a “vender o nosso peixe” sem sermos arrogantes. E temos que ter consciências das nossas limitações, não vendendo o peixe maior do que ele realmente é.

Por isso,  temos que ter cuidado com o vilão que carregamos conosco, cuidado para não cairmos nas nossas próprias armadilhas. Afinal, Stephen Vincent Strange só existe na ficção e é o único que conseguiu tirar algum proveito positivo do Ego enorme que carregava dentro dele…

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2 Respostas to "O maior vilão"

O maior vilão que existe é aquele que vemos no espelho, mas também o maior herói, depende das decisões que ele toma!

Exatamente por aí, Pablo.

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